Quint
Enquanto Quint caminhava entre planos de um corredor de pedra mal iluminado para a luz do sol salpicada de folhas, o calor o atingiu como uma toalha úmida. Isso o lembrava do Pântano da Detenção, mas o chão aqui não chapinhava, e as flores em forma de sino nas trepadeiras que se enrolavam nas árvores cheiravam agradavelmente, em vez de parecerem cadáveres. Ele girou em um círculo lento, examinando os arredores com interesse até pisar em uma nuvem de insetos minúsculos. Então ele cuspiu muito e balançou sua tromba por todo lado, tropeçando em uma rocha e caindo de joelhos.
Desajeitado como sempre, ele se repreendeu. Pelo menos ninguém estava lá para ver.
Exceto que, infelizmente, algo estava. Ele olhou para cima e se viu perigosamente perto de uma boca aberta cheia de dentes curvos e pontiagudos. Eles pertenciam a uma criatura de duas pernas coberta de penas brilhantes, com suas garras afiadas esculpindo sulcos no chão. Seu coração acelerou de medo e admiração. Principalmente medo. Este, presumivelmente, era um dos infames dinossauros de Ixalan.

Com um som entre um rosnado e um guincho, saltou em sua direção.
Quint esquivou-se para o lado, aterrissando na frente de outro dinossauro. Eles eram espertos o suficiente para flanquear. Isso era ruim.
Uma terceira criatura, maior, juntou-se às outras. Eles circularam, olhos miúdos rastreando cada movimento de sua tromba. Talvez ele pudesse usar sua magia para derrubar um galho sobre eles, ou fazê-los colidirem um com o outro? Ele começou a traçar um sigilo no ar para afastá-los. Antes de completar o feitiço, os dinossauros congelaram e olharam para a esquerda dele.
Alguém emergiu de uma estrutura de pedra em ruínas. Pele bronzeada, cabelo escuro puxado para trás de um rosto que ele via de perfil. Seus braços musculosos, braçadeiras e a espada presa ao cinto sugeriam que ela era uma guerreira, enquanto a suavidade de sua pele a marcava como uma jovem — não mais velha que o final da adolescência, talvez início dos vinte anos.
"Pantlaza, venha", disse ela. O terceiro dinossauro trotou obedientemente para o lado dela, embora fosse alto o suficiente para que sua cabeça estivesse no nível dos olhos dela. Com o aceno de uma mão, ela dispensou os outros como se fossem animais de estimação treinados, e eles desapareceram na selva.
A garota o encarou, um de seus olhos castanhos coberto por um disco de metal, como um tapa-olho. "Você é Quintorius Kand?", perguntou ela.
"Sou eu", Quint respondeu, observando as ruínas cobertas de trepadeiras. Uma pirâmide? Isso era calcário? Com esforço, ele desviou sua atenção de volta para sua salvadora. "Pode me chamar de Quint. Obrigado pela ajuda. E você é?"
"Eu me chamo Wayta", disse ela. "A guerreira-poeta nos disse para esperar por você."
"Mal posso esperar para conhecê-la", disse Quint, abanando o rosto com as orelhas. Ixalan era uma sauna em comparação com o calor seco de Pillardrop. "Todos os recém-chegados recebem uma festa de boas-vindas com dinossauros?"
"Não", disse ela. "Temos tido estranhos aparecendo em locais estranhos, então as patrulhas aumentaram. Todo cuidado é pouco depois da guerra."
"Compreensível." Quint caminhou em direção às ruínas. "Isto é Orazca? Pelas descrições de Saheeli, eu esperava mais ouro."
Wayta seguiu o olhar dele. "Isso não é Orazca. Venha por aqui."
Quint a seguiu. Através de uma fresta nas árvores, a luz do sol brilhava no metal. Ele moveu-se em direção à luz, protegendo os olhos ao passar pela barreira de folhagem e viu o brilho total e ofuscante da cidade dourada no vale abaixo. Pináculos como agulhas erguiam-se alto no céu azul, estradas e edifícios polidos estendiam-se ao longe e, no centro, um templo enorme erguia-se como uma montanha resplandecente.
"Ah", disse Quint. "Sim. Isso é mais ouro." Ele esfregou as imagens residuais de seus olhos. "Suponho que você não poderia me guiar? Você está ocupada? Conhece bem a cidade?"
"O suficiente", Wayta respondeu, cruzando os braços sobre o peito.
"Melhor do que eu, com certeza", disse Quint.
"Verdade." Wayta abriu um sorriso. "Você confia facilmente."
"Você não deixou os dinossauros comerem loxodonte no almoço", disse Quint. "Isso é bom o suficiente para mim."
Eles desceram a encosta até o arco que se erguia sobre os portões da cidade. Pessoas, carroças e dinossauros disputavam espaço, observados por guardas que usavam capacetes prateados com cristas em forma de asa e empunhavam lanças adornadas com penas laranja brilhantes. A larga avenida central os conduziu a um mercado, barracas e mantas dispostas em círculos concêntricos que se espalhavam a partir de uma fonte no centro, alimentada por aquedutos. Alguns olhares seguiram Quint, mas ele os ignorou enquanto seguia Wayta, examinando frutas rosadas espinhosas aqui, colares cravejados de gemas ali. Era difícil acreditar que este lugar havia sido castigado pela guerra, mas as feridas ainda apareciam, em prédios caídos, paredes esburacadas e manchas de cores desiguais nas ruas sob suas botas.
Eles chegaram à entrada do palácio, onde Wayta consultou um guarda enquanto Quint inspecionava os desenhos nas paredes, a tinta vermelha e branca desbotada com a idade. Ele ficou surpreso ao encontrar representações de uma esfinge; ele não sabia que a influência delas se estendia a este plano também. Esta parecia estar dando algo a uma figura menor, ou talvez recebendo um presente? Antes que ele pudesse continuar seu exame, outro guarda apareceu e os conduziu, não para a vasta pirâmide, mas ao redor dela, para um edifício sem adornos parcialmente danificado por magia perto da borda da cidade. Buracos corroídos por ácido marcavam a porta, enquanto marcas de queimadura nas paredes traçavam contornos horríveis dos humanos presumivelmente mortos que uma vez estiveram ali.
"Por aqui", disse Wayta, gesticulando para que ele a precedesse.

Quint entrou em uma sala vazia com escadas ao fundo. Vozes flutuavam enquanto ele descia, encontrando-se em uma sala muito maior coberta de murais pintados e relevos de guerreiros emergindo de uma caverna para adorar uma figura com um glifo solar atrás da cabeça. No chão, uma série de tabletes de cobre estavam dispostos, esculpidos com glifos e incrustados com jade, cinábrio e gemas — âmbar, turquesa e quartzo rosa, se não estivesse enganado. Ao longo de outra parede, esta decorada com guerreiros lutando contra alguma criatura bípede impossivelmente alta, uma porta feita de ouro, prata e cobre estendia-se do chão ao teto. Nichos retangulares na porta sugeriam que os tabletes havia sido encaixados neles.
Duas mulheres interromperam a conversa quando ele entrou. Ambas tinham pele morena, cabelos e olhos escuros, mas as semelhanças terminavam aí. Saheeli era mais alta, com traços mais acentuados, e usava um vestido vermelho escuro e joias de ouro elaboradamente trabalhadas, enquanto a outra — presumivelmente Huatli — portava-se como Wayta, como uma guerreira, sua armadura prateada confirmando essa avaliação. Ela estava sentada no chão, cercada pelos tabletes, até que o dinossauro Pantlaza correu e a derrubou como um filhote enorme e ansioso.
"Quint, você conseguiu!", exclamou Saheeli, correndo para o lado dele. "Bem-vindo a Ixalan. Desculpe por não estar lá para recebê-lo, mas os Caminhos do Agoiro são menos... flexíveis do que caminhar entre planos. Esta é minha parceira, Huatli."
"Um prazer", disse Huatli, tentando vê-lo por trás da cabeça do dinossauro. "Eu esperava que Pantlaza estivesse menos enérgico depois de alguns exercícios ao ar livre, mas claramente eu estava enganada."
"Ele se divertiu rastejando até mim, pelo menos", disse Quint. "Obrigado por me convidar para cá, a propósito. Quando Saheeli me disse que vocês haviam encontrado evidências do Império da Moeda aqui, eu soube que tinha que ver."
"Você já descobriu quem são seus amigos mortos há muito tempo?", perguntou Saheeli, tocando levemente seu braço.
"Ainda não", disse Quint. "Eu os rastreei através de vários planos, mas eles ainda são um enigma. Império da Moeda nem é o nome deles, apenas algo que eu os chamo..." Ele parou de falar, examinando os tabletes. "Este é o projeto com o qual você precisava de ajuda?"
"É sim", disse Huatli, sorrindo para Saheeli. "Acredito que eles sejam a chave para abrir isto." Ela apontou para a porta enorme. "Os glifos formam um poema, e as partes que traduzi sugerem que encontraremos o berço da humanidade e o lar dos deuses em algum lugar além."
"Essa é uma afirmação e tanto", disse Quint, apertando os olhos. Um barrito de excitação escapou dele enquanto apontava para um dos tabletes com sua tromba. "Essas são as moedas! São exatamente como as que—"
"Huatli, você ainda está aí embaixo? O sol esquecerá seu rosto se você não sair ocasionalmente." Um homem desceu as escadas, musculoso e blindado, irradiando calma e diversão.
Huatli sorriu para o recém-chegado. "Inti, bem-vindo", disse ela. "Uma de suas irmãs enviou você porque perdi outra refeição?"
Inti sorriu maliciosamente enquanto coçava a crista da cabeça de Pantlaza. "Ouvi dizer que nosso convidado havia chegado e, sim, vim dar uma olhada em você e Saheeli. Você não pode comer rochas antigas, não importa quão dura seja sua cabeça."
"Quint, este é Inti", disse Huatli. "Senescal do sol, cavaleiro de dinossauro, herói da guerra contra os Phyrexianos."
"E primo dela", acrescentou Saheeli.
Quint inclinou a cabeça educadamente, seu olhar voltando furtivamente para as moedas nos tabletes.
"Antes que você pergunte", disse Huatli, levantando a mão, "não encontrei nada sobre armas ou magia que possamos usar contra a Legião do Crepúsculo."
Quint abanou uma de suas orelhas na direção dela. Armas? Legião do Crepúsculo?
"O imperador está ficando mais impaciente", disse Inti, sua voz agora cuidadosamente neutra, como se estivesse recitando as palavras de outra pessoa. "Ele pergunta mais uma vez se a porta poderia ser aberta usando outros métodos."
"Ele quer derrubá-la", explicou Saheeli.
Quint fez uma careta. Quebrar um artefato inestimável? Como alguém poderia sequer sugerir isso?
"A árvore com raízes rasas não resistirá à tempestade", respondeu Huatli, balançando a cabeça. "Diga a ele que estou quase terminando."
"Continuaremos os preparativos então", disse Inti. "Você tem certeza de que isso não será apenas um armário? Se estiver cheio de bolas de borracha, vou provocar você sobre isso para sempre."
"Tenho certeza", disse Huatli. "Esteja pronto para uma longa jornada, não um jogo."
Inti saiu, Pantlaza enroscou-se em um canto e Saheeli começou a massagear os ombros de Huatli. Huatli suspirou e inclinou a cabeça para frente.
"Você está fazendo o seu melhor", disse Saheeli.
"Você também", respondeu Huatli. "Como estão indo suas criações?"
Saheeli riu. "Cometi o erro de me perguntar em voz alta se eu poderia fazê-los cuspir fogo. O imperador ficou extremamente interessado."
Assim como Quint, honestamente. As habilidades de artífice de Saheeli eram lendárias. Strixhaven poderia cobrar o dobro da mensalidade por qualquer aula que ela desse, e ainda estaria cheia até as vigas.
Huatli envolveu a perna de Saheeli com um braço. "Eu só não quero mais guerra", disse Huatli suavemente. "Um belo sentimento para a guerreira-poeta do império, hein?"
"E eu quero que você esteja segura", disse Saheeli, abaixando-se para abraçar Huatli com mais força. "Difícil imaginar segurança com todos os planos dedicados a descobrir novas formas de perigo, mas é para isso que servem os constructos de dinossauros que cuspiam fogo."
"Acho que você deveria voltar para sua oficina", murmurou Huatli.
"Acho que deveria", concordou Saheeli.
Quint desviou os olhos para lhes dar uma aparência de privacidade. Saheeli acenou para Quint enquanto subia os degraus, soprando um último beijo para Huatli antes de partir.
Huatli limpou a garganta, a pele corada. "Pronto para começar?"
"Sempre", disse Quint, preparando-se para invocar a magia que o ajudaria a traduzir. "O que você tem até agora?"
Em poucos momentos, eles estavam concentrados em sua tarefa, e Quint não poderia estar mais feliz.
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Malcolm
O corpo estava caído em uma pilha de folhas semipodres na selva, perto o suficiente da Baía do Raio Solar para que Malcolm pudesse ter caminhado em vez de voar. Casacos-Azuis circulavam ao seu redor, tirando medidas e fazendo desenhos, falando em vozes baixas que irritavam sua audição de sereia — e seus nervos.
"Um dos seus, Lee?", perguntou o homem encarregado da cena.
Era difícil dizer. Estranhos aglomerados de cogumelos obscureciam as feições do cadáver como feridas vermelhas, surgindo de sua boca e de uma de suas órbitas oculares. Veias pretas traçavam sua pele cinzenta, com mais fungos crescendo ao longo de seu pescoço e braços. Ele parecia estar se deteriorando rapidamente e, no entanto, estava vivo apenas algumas horas antes, de acordo com o habitante local que o encontrou.
"Acho que este é Lank", disse Malcolm finalmente. "Ele era um mineiro na Cidade Baixa." Ele levantou os olhos para o Casaco-Azul. "A Capitã Vance disse que ele tinha um bilhete?"
O homem estendeu um pedaço de papel dobrado para Malcolm, que o pegou entre dois dedos e o abriu sacudindo.
Cidade Baixa sob ataque, dizia. Enviem ajuda. Estava assinado pelo prefeito, Xavier Sal, a tinta respingada e irregular sugerindo que ele o escrevera com uma pressa enorme.
Isso explicava por que as entregas da mina haviam diminuído e parado alguns dias antes, levando o resto da economia da Baía do Raio Solar — e, por extensão, de toda a Coalizão Brônzea — a uma paralisia total. A Capitã Vance já havia ordenado que Malcolm, o emissário oficial da Cidade Baixa, voltasse para investigar, e Malcolm estava ansioso para obedecer. Ele possuía ações na lucrativa mina e, mais importante, tinha amigos lá.
Agora ele sabia que devia esperar o pior.
"O que você acha?", perguntou o Casaco-Azul. "Magia nefasta?"
"Parece que sim", disse Malcolm. Mas quem? E por quê?
A Coalizão Brônzea tinha muitos inimigos. O Império do Sol estava ansioso para expulsar os chamados invasores de seu território. Os Arautos do Rio faziam incursões ocasionais, tentando parar os terremotos e o escoamento causados pelas minas, embora estivessem mais quietos ultimamente — quietos demais. A frota Quilha Sinistra irritava-se com os editos da Governadora Brasa e poderia ver isso como uma forma de retomar Porto Seco para si mesmos, minando sua fonte de riqueza. Até os vampiros da Legião do Crepúsculo estavam tentando se estabelecer, querendo riquezas para levar de volta a Torrezon: eles preferiam se mudar como caranguejos-eremitas e administrar o lugar eles mesmos. Qualquer um de seus rivais ficaria feliz em causar problemas na Cidade Baixa, mas ninguém ainda havia se apresentado para assumir a responsabilidade.
Infelizmente, o cadáver não tinha respostas. Malcolm teria que fazer sua própria investigação e esperar encontrar ouro.
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Amalia
Venha até mim, a voz sussurrou.
Um vasto mar de areia estendia-se diante de Amalia, pontilhado por ilhas de pedra, com a margem distante perdida em sombras.
Venha até mim.
Cachoeiras de fogo derramavam-se como metal fundido pelas paredes de uma vasta caverna, brilhantes e escaldantes.
Venha até mim.
Uma porta dourada e redonda surgiu, gravada com sigilos em uma língua semelhante ao Itzocan do Império do Sol, porém diferente.
Venha...
Amalia endireitou-se abruptamente em sua sela, seu braço doendo como se tivesse sido empurrada. Ela piscou atordoada para Clavileño, comandante dos soldados que protegiam a expedição. Ele franziu a testa, mostrando as presas.
"Você estava prestes a cair", disse ele em tom de acusação, com a voz áspera.
"Obrigada", respondeu ela, ainda recuperando o fôlego. Ele se afastou cavalgando, com o olhar frio de sempre.
Acima dela, os galhos das árvores da selva se entrelaçavam como um teto de folhas e trepadeiras, o ar mofado com o cheiro de terra úmida das chuvas recentes. Amalia sentiu uma pontada de saudade da biblioteca na propriedade de sua família. Era fácil sonhar com aventura cercada por livros e paz. Muito mais difícil saboreá-la quando vermes minúsculos pendurados em fios invisíveis caíam em seu colarinho, e dinossauros saltavam sobre ela do meio do verde, e tempestades tentavam encharcar todos os seus mapas todas as tardes com a regularidade do badalar de um relógio.
Ainda assim, depois da guerra, ela queria fazer algo que valesse a pena com sua vida, algo mais do que debruçar-se sobre tomos empoeirados. O cargo de cartógrafa da Companhia da Baía da Rainha prometia exatamente isso, e agora aqui estava ela, mapeando as selvas de Ixalan.
"Como você está se sentindo?", Bartolomé del Presidio, um dos altos oficiais da Companhia, sorriu gentilmente à sua esquerda.
Amalia não podia contar a ele sobre suas visões estranhas ou a voz que sussurrava para ela. Se estivesse nos estertores de um jejum de sangue, seria compreensível. Mas ela se alimentara recentemente e, no entanto, continuava caindo em transe, vendo e ouvindo coisas que não estavam lá.
"Estou bem, obrigada", respondeu Amalia. "Ainda estou me acostumando com os... preparativos de viagem."
"Difícil, não é?", disse Bartolomé. "Faça o seu melhor. Tenho um bálsamo que ajuda com o cansaço. Vou lhe dar um pouco quando pararmos."
"Estou muito agradecida", disse Amalia.
Bartolomé chicoteou as rédeas e avançou na procissão. Eles eram cerca de trinta ao todo, entre soldados, servos e penitentes que buscavam absolvição por crimes cometidos em Torrezon. À frente, de costas rígidas em sua montaria enorme, Vito Quijano de Pasamonte liderava a expedição. Ele mal a reconhecera quando se conheceram, aparentemente absorto em seus próprios pensamentos e prioridades, e isso não mudou durante a longa viagem marítima, nem nos dias desde que deixaram a Baía da Rainha. Quando não estava gritando ordens ou olhando melancolicamente para o nada, ele lia e relia um livro surrado que ninguém mais tinha permissão para ver. Bartolomé tentou pegá-lo emprestado uma vez; Vito o agarrou pela garganta e o prensou contra uma árvore.
Ela teve a sensação de que os dois vampiros não compartilhavam os mesmos objetivos, apesar de alegarem ter um propósito comum.
Um Templo de Aclazotz supostamente os aguardava nas profundezas deste continente. Dentro desse templo, uma porta. E atrás dessa porta, esperançosamente, uma solução para o cisma crescente que ameaçava dividir a Igreja do Crepúsculo em um espasmo de violência pior do que as Guerras Apostasinas.
Seria a porta em suas visões? Amalia não saberia até que a encontrassem. Até lá, ela tinha trabalho a fazer.
Ela voltou sua atenção para sua cartomancia, puxando o mapa cada vez mais detalhado de sua jornada. O caminho deles a partir da Baía da Rainha era uma trilha vermelha que brilhava fracamente em sua localização atual. Ela furou seu dedo mindinho com uma de suas presas e, em seguida, molhou o dedo ensanguentado em um pequeno poço de cinzas, misturando-os. Assim combinada, ela espalhou a solução pela superfície do mapa, imbuindo-a com sua intenção. Lentamente, como tinta espalhando-se por papel úmido, a mistura de sangue e cinzas estendeu-se para preencher as partes em branco de seu pergaminho em detalhes precisos.
Venha até mim...
Amalia estremeceu, desejando saber de quem era a voz que a chamava. Esperando — temendo — que logo descobriria.
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Huatli
A tradução estava terminada.
Huatli espreguiçou-se e olhou para Quint, que estudava suas notas. Wayta estava parada em um canto, observando-os com interesse. Huatli repetiu a tradução para si mesma, saboreando os ritmos do poema.
Nós somos os Komon, do Quinto Povo, gravetos e pás do bom lugarconcedido a nós pelos Deuses das Profundezas, exilados na superfície por nossos fracassos.
Nós derrotamos o Grande Traidor, lutamos contra os traidores, invasores, aprisionadores de Chimil, a Estrela Partida, a glória de sua luz tripla oculta.
A Era do Sol terminou em trevas por dezesseis contagens completas de seu giro, até que as Mil Luas estilhaçaram a casca circular de sua prisão …
"O que é uma contagem completa?" Quint perguntou.
"Vinte," Huatli respondeu absorta. "Um giro provavelmente é um ano. Se o sistema deles for como o nosso, isso significaria 320 anos."
"Três séculos de escuridão?" Quint exclamou. "Incrível."
"Horrível," Huatli murmurou. "Como alguém poderia aprisionar um deus?"
"Este é o deus que você acredita ser como o seu?" Quint perguntou.
"Sim," disse Huatli. "O nosso é o Sol Triplo, embora nunca os tenhamos chamado de Chimil." Ela fechou os olhos. "Pode ser herético pensar que são o mesmo."
Quint fez um gesto semelhante a um dar de ombros com sua tromba. "Os mistérios dos planos são infinitos. Novas descobertas frequentemente reescrevem velhas histórias."
Huatli inclinou a cabeça para ele. "Você soa como se tivesse tido experiência com isso."
"Eu certamente tive. Lembre-me de te contar sobre meu mentor algum dia." Quint tocou uma linha em suas notas. "E quanto a esta parte?"
Huatli escaneou aquela tabuleta.
Deixamos esta memória e chave e mapa, para que as sementes de nosso fruto possam se espalhar pelos caminhos sinuosos de Topizielo, até Matzalantli, porta dourada dos deuses, e encontrar as raízes perdidas de nossa árvore.
"Eu não acho que signifique esta porta," disse Huatli. "Deve haver outra além dela."
"Muito além, se 'caminhos sinuosos' forem uma indicação," disse Quint. "Não que algum dia a encontraremos a menos que consigamos abrir esta."
Huatli examinou a porta. As tabuletas contendo o poema haviam sido incrustadas no metal quando foram encontradas, mas ela rapidamente descobriu que eram removíveis. Atrás das tabuletas havia glifos tênues, um por recesso de tabuleta, cada um uma única palavra.
"Você substituiu as tabuletas na ordem em que as encontrou?" Quint perguntou.
"Sim, isso não funcionou," disse Huatli.
"Talvez um comando verbal?" Quint sugeriu. "Eu abri uma porta semelhante recitando parte do Cântico de Jed."
"O quê?"
"É uma importante história loxodonte. Esqueça, foi apenas uma ideia."
"O que eu poderia recitar?" Huatli ponderou.
"O poema?" Quint perguntou.
Huatli franziu a testa pensativa. "É bastante longo, e minhas pronúncias da língua antiga podem não estar corretas."
"Você tem razão," Quint concordou. Ele virou uma das tabuletas. "Interessante que existam símbolos na porta, mas não nestas."
Huatli examinou os glifos da porta novamente. Guerreiro, folha, fazendeiro, sombra … palavras simples, comuns. Nenhuma delas correspondia aos glifos nas várias tabuletas. Ela leu o poema mais uma vez, procurando por padrões que pudesse ter perdido.
"Oh!" ela exclamou. "Eu tenho uma ideia."
Ela buscou a tabuleta com a linha, "nós lutamos contra os traidores", e a deslizou para o buraco com o símbolo do guerreiro.
Nada aconteceu.
"Você pode precisar colocar todas nos lugares certos primeiro," Quint disse encorajadoramente.
Huatli colocou a tabuleta com "galhos perdidos de nossa árvore" com o símbolo da folha, então "gravetos e pás do lugar bom" com o símbolo do fazendeiro, depois "A Era do Sol terminou em trevas" com o glifo da sombra. E assim ela continuou, até que todas as tabuletas estivessem encaixadas de volta na porta.
Um sussurro de magia tocou seus dedos, e o espaço ao redor de cada tabuleta brilhou suavemente. O brilho se espalhou para as bordas da porta e, com uma nota grave profunda, ela se abriu.
"Como você—" Quint começou.
"Os glifos na porta correspondiam às tabuletas," disse Huatli. "Apenas não diretamente. Motivos simbólicos."
"Ah, claro." Quint gesticulou com sua tromba. "Gostaria de fazer as honras?"
Huatli segurou a borda da porta e puxou. Ela fez um som de rangido onde se arrastava pelo chão, ar estagnado correndo pela fresta. Além, um túnel inclinado aguardava, frio, seco e empoeirado, largo o suficiente para caber os dinossauros de carga menores.

"Pegue uma tocha," ela disse a Wayta, que obedeceu rapidamente.
Eles desceram, Huatli liderando o caminho com Quint atrás dela, Wayta e outro guerreiro na retaguarda. No fundo do túnel, encontraram uma sala grande o suficiente para caber uma pirâmide dentro. Uma fileira de cadáveres agachados no chão em frente à entrada do túnel, envoltos em pano de linho. Cordões de contas de jade e cinábrio pendiam de seus pescoços, e tiras de casca de árvore estavam enfiadas nas faixas enroladas em seus olhos. Pareciam ser guerreiros, suas armas descansando perto de suas mãos ossudas, embora suas armaduras fossem diferentes das que ela e Wayta usavam. Sob seus linhos funerários, seus ossos brilhavam em um roxo rosado tênue, em padrões estranhos que pulsavam com magia.
"O que é aquilo?" Quint perguntou, apontando.
Os restos de uma criatura humanoide massiva dominavam o canto oposto da sala, seu capacete — não, seus chifres — roçando o teto. Dezenas de lanças eriçavam de seu corpo, parecendo pequenas como flechas, algumas de suas hastes quebradas apesar de serem feitas de metal. Uma armadura cor de ferrugem envolvia seu corpo, com curvas e lacunas como algo entre um esqueleto e uma gaiola. Pele cinza ressecada era visível por baixo, e mãos do tamanho de uma pessoa terminavam em garras curvas.
"Eu nunca vi nada parecido," murmurou Huatli. "É maior que os maiores dinossauros — exceto Zacama."
"É seguro assumir que matou estas pessoas," disse Quint. "Mas estava usando armadura. Nenhuma besta comum, então. Por que eles estavam lutando, eu me pergunto?"
"Talvez as respostas aguardem mais adiante," respondeu Huatli. Para o guarda, ela disse: "Encontre o senescal e o campeão Imperial. Diga a eles que partiremos assim que os dinossauros de carga estiverem prontos."
O guarda saudou e apressou-se a entregar a mensagem a Inti e Caparocti. Huatli recuou mais lentamente, deixando Quint inspecionando os restos com Wayta, a chama da tocha projetando sombras estranhas nas paredes.
Ela lançou um último olhar para os guerreiros ajoelhados e o cadáver monstruoso no canto antes de subir as escadas de volta. Seria ela capaz de encontrar um caminho para a paz nas profundezas, como esperava, ou seria esta batalha de muito tempo atrás um presságio de que sua missão estava condenada desde o início?
Saheeli esperava na sala acima, e Huatli suspirou de prazer ao enterrar o rosto no pescoço de sua parceira.
"Eu não fiquei fora tanto tempo," disse Saheeli, seus dedos calosos entrando em uma fresta na armadura de Huatli para acariciar sua pele.
"E ainda assim sempre parece uma eternidade," respondeu Huatli. "Vamos tomar um café, só nós duas. Agora que a porta está aberta, partiremos em breve."
"Para onde?" Os olhos de Saheeli, delineados com kohl, se arregalaram. "O que você encontrou?"
"Morte e escuridão," murmurou Huatli. "Venha, meu coração. Preciso me fartar de você antes de nos separarmos." Ela puxou Saheeli para a luz do sol, entrelaçando suas mãos enquanto caminhavam pelas ruas douradas juntas em um silêncio companheiro.
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Malcolm
O nome "Downtown" começou como uma piada e pegou. O acampamento de mineração estava dividido entre um posto avançado na superfície e a vila principal subterrânea em uma caverna enorme. A mina real era um cenote antigo e seco que se aprofundava na terra, com túneis se estendendo na rocha em vários níveis como raios em uma máquina com centenas de rodas. Edifícios de madeira estavam espalhados ao redor da borda do vasto buraco, sem nenhuma razão ou lógica particular para sua colocação além dos caprichos de seus construtores. Guindastes e passarelas se estendiam sobre o vazio, suportando elevadores operados por polias, enquanto elevadores hidráulicos e escadas em zigue-zague abraçavam as paredes. Mais polias içavam baldes de minério que eram empilhados em carrinhos em trilhos que cruzavam o chão. Refinarias cuidavam das conversões químicas e mágicas, outras áreas de processamento gerenciavam a limpeza manual, e silos eram preenchidos com o produto pronto para entrega na superfície. Tudo era geralmente iluminado por lâmpadas de luz do dia gigantes, mágicas e mundanas, bem como tochas pessoais, velas e lanternas.

As lâmpadas estavam escuras e, pelo que Malcolm podia dizer, Downtown estava inteiramente vazia, exceto por ele mesmo e pelas pessoas que trouxera da Baía do Raio de Sol para ajudar na investigação.
Breeches ajustou seu tricórnio com uma mão de pelos azuis, seus olhos dourados estreitados. "TODOS SE FORAM?" o goblin gritou.
"Todos se foram," concordou Malcolm, franzindo a testa.
Minério bruto estava em carrinhos de mina deixados no meio do trilho, e em barris e caixotes, alguns tombados. Mesas de triagem estavam empilhadas com metais ou cristais parcialmente limpos, pincéis e cinzeis descansando por perto como se seus usuários estivessem prestes a retornar de uma pausa. As portas dos dormitórios estavam abertas, camas desarrumadas como se tivessem sido abandonadas às pressas. Comida apodrecia nas cozinhas e áreas de refeição, e o cheiro de mofo permeava tudo.
Os únicos sinais de violência eram marcas de queimadura em alguns edifícios e algumas armas caídas. Malcolm examinou uma picareta com uma substância estranha e pegajosa — sangue? Ele não ia tocá-la para descobrir.
Todos os elevadores de polia de Downtown estavam presos no topo de seus guindastes, como se tivessem sido puxados para cima para se defender contra um cerco vindo de baixo. Todos, exceto um.
Malcolm ergueu sua lanterna ao se aproximar daquele elevador. Estava tão escuro que ele quase pisou nas linhas de ichor pintadas no chão próximo. Ele se ajoelhou para examiná-las mais de perto. Uma palavra, as letras grossas e em blocos.
ABAIXO.
As penas em seus braços se eriçaram. Se isso fosse uma armadilha, eles estariam caminhando direto para ela. Mas de que outra forma ele poderia descobrir o que aconteceu com uma cidade inteira desaparecida? Como a chama tremeluzente em sua lanterna, ele alimentava uma esperança tênue de que sobreviventes pudessem ser encontrados e resgatados.
"Você," disse ele, apontando para um de seus companheiros. "Volte para a Baía do Raio de Sol e conte a eles o que encontramos. Você," disse ele, apontando para outro. "Fique aqui em cima e espere por nós."
Breeches estava na borda do vazio, uma expressão inescrutável em seu rosto de goblin. "ABAIXO?" ele perguntou.
"Sim," disse Malcolm, encarando a mensagem. "Abaixo."
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Amalia
As ruínas desmoronadas do templo de Aclazotz foram parcialmente retomadas pela selva, trepadeiras sufocando as paredes, raízes de árvores rachando os pisos de pedra, galhos perfurando o teto caído. Enquanto a tinta vermelho-sangue do feitiço de Amalia preenchia outra área de seu mapa, os soldados e servos se moviam pelo acampamento avançado estabelecido por aqueles que haviam chegado dias antes.
Um silêncio recaiu sobre a reunião enquanto Vito caminhava entre eles, irradiando determinação e ameaça. Em uma mão, ele carregava uma lança, sua ponta alguns palmos acima de sua cabeça. Na outra, ele segurava o livro que nunca saía de sua vista. Seus olhos azuis pareciam arder com uma luz interior, e os vampiros se aproximaram como se ele fosse um ímã e eles fossem todos limalhas de metal.
"Esta lança," começou Vito, erguendo a arma, "foi empunhada pelo Venerável Tarrian, em cujos passos seguimos. Este é o seu diário." Ele ergueu o livro. "Ele contém um registro de suas viagens com Santa Elenda e suas revelações, suprimidas pela igreja e recentemente recuperadas por verdadeiros crentes."

Verdadeiros crentes? Amalia ficou tensa. Certamente, ele não queria dizer apoiadores do Antífice. Ela ouvira algumas das histórias—
"Dentro deste templo," continuou Vito, "há uma porta que leva ao local de repouso de nosso antigo deus e progenitor, Aclazotz, criador dos primeiros vampiros. Embora ele durma, ele pode ser despertado novamente por seus servos mais fiéis."
Despertar um deus? Tal coisa era possível? Amalia mordeu o lábio, estremecendo quando suas presas perfuraram sua carne. Talvez ela não estivesse sozinha em seus pensamentos, porque um murmúrio baixo surgiu entre a multidão.
Vito ergueu a lança e o silêncio recaiu novamente. "Se devolvermos Aclazotz a Torrezon, como esta escritura promete, ele curará os fiéis e trará paz à terra. O cisma terminará, e seremos mais uma vez livres para espalhar nosso catecismo por este continente selvagem."
Algo em seu tom fez Amalia estremecer, apesar do calor. Cura e paz soavam como uma causa justa, mas a que custo? Alguém mais estava tão perturbada quanto ela? Bartolomé observava Vito com uma expressão cuidadosamente neutra, então ela escondeu seus sentimentos também. Quem sabia o que Vito poderia fazer se fosse desafiado?
"Em frente, então," disse Vito, gesticulando com a lança. "Rumo ao nosso destino."
Vito entrou no templo em ruínas e, com um calafrio presciente, Amalia juntou-se à procissão que o seguia.
Lá dentro havia um cenote, largo e profundo, as escadas curvas esculpidas na lateral escorregadias de umidade. Alguns vampiros carregavam lanternas, outros iluminavam seu caminho com velas flutuantes presas às suas mochilas ou cintos por longas correntes. No fundo da escadaria, um portal levava a uma sala com vários recessos nas paredes. Amalia espiou um deles, encontrando uma pilha de ossos mofados. Ela recuou, esbarrando em Clavileño, que sibilou para ela e a empurrou para frente.
As catacumbas continuavam, sala após sala cheia de ossos dos mortos. Padres? Antigos sacrifícios? Ela realmente queria saber? As chamas às suas costas tremeluziam enquanto ela caminhava, projetando sombras em cada parede.
Finalmente, chegaram a uma grande sala circular cheia de candelabros vazios, com um altar de obsidiana ranhurado em frente a uma porta dourada. Dizia-se que Santa Elenda havia emergido de uma porta como aquela.
Para surpresa de Amalia, esta não era a porta em suas visões.
Um dos soldados tentou abri-la, mas ela permaneceu teimosamente fechada. Mais dois soldados juntaram-se ao primeiro, sem efeito.
"Talvez ela não possa ser aberta," ponderou Bartolomé. "Viemos tão longe para nada?"
"Aclazotz me guia," disse Vito, sua voz ecoando no espaço fechado. "Clavileño, traga-me um dos carregadores."
Clavileño fez como ordenado e logo um dos servos humanos de rosto pálido do acampamento entrou, mãos cerradas nervosamente.
"Não tenha medo," disse Vito. "O Venerável Tarrian escreveu: 'O sangue do cordeiro abrirá a porta para o paraíso'. Estamos sendo testados e devemos ser fortes. Venha até mim."
O carregador aproximou-se dele hesitantemente. Vito pousou a mão na cabeça do homem, fitando-o nos olhos com um sorriso benevolente.
"Coloque-o no altar," disse Vito.
Clavileño obedeceu, levantando o homem do chão com força vampírica. O carregador lutou, lamentando enquanto o soldado tentava deitá-lo na placa de obsidiana. Clavileño não se moveu.
O olhar de Vito caiu sobre Amalia, e ela estremeceu. "Você," disse ele. "Ajude a segurá-lo."
Amalia recuou, braço erguido como se para se proteger.
"Seu sacrifício significará sua salvação," disse Vito. "Faça o que eu digo."
"Você corrompe os ritos de sangue sagrados," protestou Bartolomé.
"Os ritos da igreja são uma imitação pálida dos verdadeiros sacramentos de Aclazotz," disse Vito com desdém. "O diário nos ajudará a desbloquear seu poder, e você entenderá."
Amalia olhou para Bartolomé, horrorizada, esperando que ele parasse com essa farsa. Em vez disso, ele recuou, seu rosto mais uma vez uma máscara.
Vito gesticulou para outro soldado. "Ajude Clavileño." Suas ordens foram obedecidas e logo o carregador estava deitado de bruços no altar, membros estendidos, gemendo piedosamente.
Vito enfiou o diário sob um braço e desembainhou a faca em seu quadril. "Oferecemos sua vida a Aclazotz. Este sangue é o nosso pacto, eterno como a vida que nos foi prometida. Em sua escuridão somos santificados."
Com um único golpe, Vito cortou a garganta da vítima. O altar ganhou vida, sua negridão parecendo brilhar. Em vez de espirrar no ar, o sangue escorreu pelas ranhuras do altar, para o chão e atravessou até a porta, que brilhou com a mesma escuridão luminescente.
A porta gemeu ao abrir. Uma lufada de ar estagnado emergiu do túnel adiante como o hálito de algum comedor de carniça imundo, as chamas na sala tremeluzindo descontroladamente.

"Louvem Aclazotz," entoou Vito.
Bartolomé permaneceu em silêncio enquanto Vito dava ordens aos soldados para se prepararem para a partida.
Venha até mim …
Amalia respirou trêmula, dizendo a si mesma que a voz sussurrante não estava mais forte do que da última vez que falara com ela. Uma das velas que pairavam às suas costas apagou-se abruptamente, aprofundando as sombras ao seu redor, e ela esperou que não fosse um presságio do que estava por vir.

































